domingo, 25 de abril de 2010

300 palavras


300 palavras, isto escrito no quadro começava a primeira aula do professor Feliciano “Se vocês pretendem ser escritores, devem ser capazes de expressar suas ideias em um texto com 300 palavras, nem mais nem menos”, dizia ele completando com um certo ar de irônia “não deve ser difícil para uma geração que está acostumada a se expressar em 140 caracteres, não é?”.
Ok, 300 palavras é coisa pra caramba e dá pra fazer um texto legal. Vai dar mais trabalho contar as palavras uma a uma, já que era pra ser feito a mão no caderno e não teríamos a facilidade do contador de palavras do processador de texto. Segundo dizia o professor o computador deixava as pessoas preguiçosas, “Já não se importam em escrever certo já que basta um botão para corrigir seus erros, muitos grandes escritores ainda preferem a boa e velha máquina de escrever”. “Bullshit”, penso eu, embora reconheça que o corretor ortográfico quebre um galho e que escrever usando uma Olivetti tem um charme especial.
“Vamos escrever sobre o que?” pergunta uma aluna, morena de óculos retangular que entra na lista da pegáveis assim que tiver o primeiro buteco da turma. “Tema Livre” responde ele. E eu, “Fodeu, vou escrever sobre o que?”. 

300 palavras é muito quando você não tem o que dizer. Ou pode ser pouco se você ficar divagando, desperdiçando as palavras sem saber aonde quer chegar. Pensei em perguntar se 300 palavras não seria um limite que castraria o pensamento do autor, e ainda citar Saramago e sua crítica ao limite de caracteres do twitter. Se seguisse meu instinto teria perguntando com aquele ar de “o engraçadinho da sala”, mas achei melhor não arriscar e levar uma resposta atravessada, ficando marcado já no primeiro dia de aula.
Pronto, é isso. 300 palavras.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mais fácil ou mais difícil? Ou vc só não estava pronto ainda?


Bem agora estou escutando disco "A Night At The Opera" (1975) do Queen na íntegra, da primeira a última faixa e uma coisa me veio a cabeça.
Enquanto sou "bombardeado" - no bom sentido - pelos arranjos grandiosos e bem trabalhados, os vocais geniais, a guitarra perfeita e todas as qualidades que fazem desse talvez a maior obra-prima do Queen, me lembrei que muitos anos atrás, quando era bem mais novo esse CD caiu na minha mão por intermédio de um amigo.
Naquela época eu tinha a mania boba de ouvir uns 30 segundos de cada faixa e ir pulando, como se não tivesse tempo para apreciar o disco. Claro que tempo não me faltava naqueles dias, embora a ansiedade e pressa que são parte da minha personalidade fossem um pouco mais acentuadas. Fato é que essa mania fez com que não escutasse o disco com a devida atenção e eu não gostei dele. (Eu melhorei muito meu gosto musical desde então!)
Lembrar disso hoje me fez pensar sobre os discos fáceis e difíceis de gostar. Sabe aquele CD que você escuta pela primeira vez e depois de só 3 faixas você já adora ele? Então... esses são os fáceis.
Tem também aquele que você escuta inteiro e termina com uma interrogação na cabeça... aí pra não dar o braço a torcer você escuta ele 2, 3, várias vezes e um dia se dá conta que é um dos melhores que você já ouviu? Esses são os difíceis.
Mas será que existem mesmo discos difíceis de se gostar, de curtir, ou você apenas não estava pronto para o que ia ouvir? Ou não estava no clima?
Fiquei me perguntando isso agora enquanto ouço e curto muito "A Night At The Opera"... Será que quando eu ouvi ele pela primeira vez estava pronto para a obra? O que era difícil pra mim antes ficou fácil? 

Em tempo, o A Night At the Opera faz parte da lista dos 1001 discos para ouvir antes de morrer!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Be the change you want to see in the world"


O Post de hoje começa com uma frase de Gandhi já no título, "Be the change you want to see in the world". Engraçado como algumas frases tem um efeito quase imediato na sua consciência né? Pelo menos comigo é assim (vide a frase de sub-titulo do blog). 
Então hoje algumas coisas aconteceram essa manhã que despertaram minha revolta. Me irrita o discurso bonitinho para agradar e/ou vender e a ação interna que não reflete esse discurso. Hipocrisia. Não quero entrar nos detalhes do que aconteceu, qual o discurso e ações, mas os acontecimentos me fizeram novamente ver como eu penso e vejo as coisas diferentes de boa parte das pessoas. Pra variar fiquei com a fama de "revoltado" e "descontente" da turma, o que já encaro como um elogio.
Aqui entra outra frase que um amigo me passou: "O descontentamento é o primeiro passo no progresso de um homem ou de uma nação." (Oscar Wilde)
Tive que desabafar com alguns amigos no grupo de email e isso gerou uma discussão em relação a mudanças que podem e precisam ser feitas na nossa sociedade. Então minha irmã passou o texto abaixo, em inglês, que fala sobre 10 passos para mudar o mundo, sendo que o mais importante é que para mudar o mundo, primeiro você deve mudar você mesmo! Gostei tanto que achei melhor compartilha-lo aqui no blog. 
Boa Leitura, Let's change the world!

1. Know that all significant change throughout history has occurred not because of nations, armies, governments and certainly not committees. They happened as a result of the courage and commitment of individuals. People like Joan of Ark, Albert Einstein, Clara Barton, Abraham Lincoln, Thomas Edison and Rosa Parks. They might not have done it alone, but they were, without question, the change makers.
2. Believe that you have a unique purpose and potential in the world. It's not so much something to create as to be discovered. And it's up to you to discover it. Believe that you can and will make a difference.
3. Recognize that everything you do, every step you take, every sentence you write, every word you speak-or DON'T speak--counts. Nothing is trivial. The world may be big, but there are no small things. Everything matters.
4. To be the change you want to see in the world, you don't have to be loud. You don't have to be eloquent. You don't have to be elected. You don't even have to be particularly smart or well educated. You do, however, have to be committed.
5. Take personal responsibility. Never think "it's not my job". It's a cop-out to say, "What can I do, I'm only one person." You don't need everyone's cooperation or anyone's permission to make changes. Remember this little gem, "If it's to be, it's up to me."
6. Don't get caught up in the how of things. If you're clear on what you want to change and why you want to change it, the how will come. Many significant things have been left undone because someone let the problem solving interfere with the decision-making.
7. Don't wait for things to be right in order to begin. Change is messy. Things will never be just right. Follow Teddy Roosevelt's timeless advice, "Do what you can, with what you have, where you are."
8. The genesis for change is awareness. We cannot change what we don't acknowledge. Most of the time, we aren't aware of what's wrong or what's not working. We don't see what could be. By becoming more aware, we begin the process of change.
9. Take to heart these words from Albert Einstein--arguably one of the smartest change masters who ever lived: "All meaningful and lasting change starts first in your imagination and then works its way out. Imagination is more important than knowledge."
10. In order for things to change, YOU have to change. We can't change others; we can only change ourselves. However, when WE change, it changes everything. And in doing so, we truly can be the change we want to see in the world.
The following is inscribed on the tomb of an Anglican Bishop in Westminster Abby (1100 A.D.) …

"When I was young and free and my imagination had no limits, I dreamed of changing the world. As I grew older and wiser, I discovered the world would not change, so I shortened my sights somewhat and decided to change only my country.
But it, too, seemed immovable.
As I grew into my twilight years, in one last desperate attempt, I settled for changing only my family, those closest to me, but alas, they would have none of it.
And now, as I lie on my deathbed, I suddenly realize: If I had only changed myself first, then by example I would have changed my family.
From their inspiration and encouragement, I would then have been able to better my country, and who knows, I may have even changed the world."

PS: Ainda sobre mudar o mundo, tem o post do "Dia Mundial do Rock" que aborda o mesmo tema, vale a leitura!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A banda dos Sonhos do Rock Nacional


Demorou mais tempo do que eu gostaria e esperava, mas hoje vamos divulgar o resultado da nossa votação da "Banda dos Sonhos do Rock Nacional"!
Tivemos uma participação de mais pessoas nessa "enquente" do que nas "100+ do Rock Nacional" o que colaborou para ter um resultado mais abrangente já que tivemos mais de 10 artistas lembrados em cada categoria (vocal, guitarra, baixo e bateria), mas eu acabei achando o resultado um tanto quanto previsível. Usamos um sistema de pontuação para a votação. Cada pessoa deveria escolher 3 nomes em ordem de primeiro, segundo e terceiro lugar, sendo que o primeiro receberia mais pontos que os demais. Como não somos músicos ou críticos, a votação segue exclusivamente o gosto musical de cada um, sem critérios tecnicos e outras bullshits. Então se vc quer dar sua opinião também, por favor deixe um comentário e será bem-vindo! =D
Como toda votação, essa gerou uma discussão bem saúdavel e algumas ideias novas que devem ser abordadas em posts futuros, principalmente se vingar o nosso projeto de PodCast. Um desses temas deve ser inclusive a formação de "super bandas" aqui no Brasil como acontece em outros paises. Embora exista colaboração entre alguns músicos, você não vê um projeto como o Them Crooked Vultures ou o atual do Tom Yorke do Radiohead com o Flea do Red Hot Chili Peppers. Mas isso fica para a pauta do podcast sobre a Banda dos sonhos.
A formação vencedora consagrou músicos de bandas que surgiram nos anos 80 já consagrados no cenário nacional, com excelentes compositores nesse line up e a possibilidade de revezamento entre os vocais. 
O primeiro lugar da Banda dos Sonhos do Rock Nacional ficou para:

Renato Russo - Vocal
Edgard Scandurra - Guitarra
Humberto Gessinger - Baixo
João Barone - Bateria

O segundo e terceiro lugar trouxeram formações inusitadas, com uma boa mistura de estilo e épocas!

Segundo lugar
Cazuza - Vocal
Pepeu Gomes - Guitarra
Bi Ribeiro - Baixo
Bacalhau - Bateria

Terceiro lugar:
Humberto Gessinger - Vocal
Lobão - Guitarra
Champignon - Baixo
Charles Gavin - Bateria

Vou aproveitar o final do post para alguns comentários pessoais:
  • Primeiro agradeço a todos que ajudaram, comentaram no post dos concorrentes e aos que votaram: Douglas, Ari, Brunão, Marco Aurélio, Roque Rascunho, Carlos, Mah e Ambrósio.
  • Minha banda dos sonhos seria: Cássia Eller, Lobão, Champignon e Glauco (Tianastácia).
  • A formação vencedora, mesmo sem o Renato, daria uma puta banda! 
  • Humberto, Renato e Edgard são ótimos compositores e cantam bem, o que daria uma mistura incrível. 
  • João Barone na bateria foi quase unânime na votação.
  • A segunda formação com o Pepeu na guitarra e Cazuza nos vocais e compondo seria muito interessante de se ver. 
  • Uma cozinha de boa pegada com Bi Ribeiro e Bacalhau completam a formação mais inusitada na minha opinião.
  • Notou que os dois vocalistas mais votados já faleceram e a que eu escolhi também?
  • A terceira formação tem como maior destaque o contraste entre Gessinger nos vocais e Lobão na guitarra (e vocal tb). Sinceramente não consigo ver os dois tocando juntos...
  • O Lobão ganhou por um ponto do Augusto Licks o terceiro lugar. Graças ao meu voto que mudou na última hora. 
  • Tivemos o empate entre 4 bateristas no terceiro lugar (Fred, André Jung, Rodrigo Barba e Charles Gavin) então dei o meu voto de minerva pro Charles Gavin.