quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Inimigo é Outro

Vou dar uma pausa nos posts sobre bandas que me influenciaram e falar um pouco de cinema! Mais precisamente de Tropa de Elite 2. (Acho que não tem problema agora que todo mundo já assistiu, né?)
Não, a ideia não é fazer uma critíca, apenas dar vazão a alguns pensamentos antes de dormir.
Ainda lembro bem de quando vi o primeiro filme (primeiro o pirata, depois no cinema) e da sensação "tapa na cara" que ele deixava. Gostei tanto que comprei o livro que li em poucos dias, e nele o "tapa na cara" era ainda mais forte!
O "Elite da Tropa" é dividido em duas partes. A primeira chamada "Diário de Guerra" contém várias histórias sobre o BOPE e a PM carioca, várias delas que serviram de inspiração para o primeiro filme. A segunda parte se chama "A Cidade Beija a Lona", e já mostrava que o inimigo era outro. Lembro que quando terminei essa última parte pensei que ela daria uma ótima continuação, e embora a história do Tropa 2 seja diferente a inspiração é nítida.
Por isso se o primeiro filme foi um tapa na cara, o segundo é um soco no estômago!
Não por ser mais violento - e não é - mas por ir mais fundo na questão da corrupção em todas as esferas do poder. Se no primeiro a temática era traficante, "universitariozinho de merda" e polícia corrupta, agora as balas vão também na direção da política e do governo.
E é interessante ver como o personagem do Capitão Nascimento vai evoluindo na história, percebendo o quão mais embaixo é o buraco, como o sistema está corrompido e se adapta para continuar sempre levando vantagem, até chegar na conclusão que como ele mesmo diz; "O sistema é foda" e vai levar muitos anos para mudar isso.
Pode ser óbvia essa conclusão, mas acontece que por mais óbvio que seja tudo que o filme apresenta, muitas vezes não damos atenção a isso por estarmos "ocupados demais com outras coisas". E aí vem o que acho melhor no filme, ao trazer ao público um "choque de realidade" mesmo que por alguns breves instantes.
Se nesses breves instantes o filme conseguir fazer com que o público pense que quem ele votou pode ser um dos responsáveis pelo crime e corrupção na cidade, que nem tudo que é apresentado como versão oficial ou saí na mídia é a verdade e deve ser engolido como tal sem discussão, então o soco no estômago valeu a pena.
Claro que não tenho a ilusão de achar que um filme vai mudar a forma como as pessoas pensam e agem, até por que para muitas pessoas aquilo não passou de um simples entreterimento e de comparar o primeiro com o segundo. Mas se pelos menos algumas pessoas viram e refletiram sobre aquilo, então ainda dá para mudar o sistema e melhorar as coisas!
Foi por isso que quis escrever esse post! =)

PS 1: Acho que não deixei nenhum spoiler que estrague a diversão de quem ainda não viu o filme né?
PS 2: Para não ficar sem falar de música, e entregando um spoiler, o filme fecha muito bem com O Calibre dos Paralamas do Sucesso quee já foi tema desse post aqui.

2 comentários:

Renata disse...

Vibrei demais com o filme, pra quem convive de perto com a corrupção e sabe que poderia fazer mais para combatê-la o filme dá um ânimo, mas aí, voltando a realidade, vem a tona o fato de que na vida real, Capitão nascimento talvez nem tivesse tempo de virar coronel.

craftmind disse...

de fato, o filme tem esse efeito chuck norris. mas imagine se nós vivéssemos em um outro planeta e ficássemos sabendo que o que acontece no rio, acontece no planeta vizinho? o efeito seria muito maior. com isso, quero dizer que, é necessário a arte retratar a vida para que a própria vida tenha um efeito maior... azar dos calos.