Mostrando postagens com marcador review. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador review. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Pearl Jam - Lightning Bolt

pearl-jam-lightning-bolt
O Pearl Jam chega ao décimo álbum da carreira com Lightning Bolt. Com um catalogo bem extenso nesses mais de 20 anos de estrada, a banda fez um trabalho que vai agregar alguns hit no seu setlist de 3 horas.
Quase todas as melhores canções do disco estão na primeira metade das 12 faixas do disco. A abertura com "Getaway", um rock direto como o que o quinteto de Seattle sabe fazer de melhor, começa muito bem, tem uma linha de baixa muito legal do Jeff Amment, e ajuda a criar uma expectativa alta para um disco mais pesado e punk. A segunda faixa é o primeiro single lançado, "Mind Your Manners", que também tem uma pegada punk e direta. As duas com certeza vão entrar muito bem nos shows da turnê atual.
"My Father's Son", a terceira do disco,  é outra das músicas mais pesadas do álbum que infelizmente não mantém o padrão das outras.
Vem então a quarta faixa e segundo single "Sirens". A grandiosa balada rock chegou ao primeiro lugar nas paradas americanas e tem tudo para se firmar como mais um clássico da banda. A letra de Eddie Vedder casa perfeitamente com a bela harmonia composta pelo guitarrista Mike McCready, e o piano na medida certa de Boom Gaspar, praticamente sexto membro do grupo.
Na sequência vem a canção que dá nome ao disco, "Lightning Bolt". Outro rock direto e com pegada mais punk, para mim a melhor música do disco, que só podia ter um solo de guitarra um pouco mais longo no final, mas que ao vivo deve soar perfeita. O sexto posto é ocupado por "Infallible", que quase poderia ser um dos pontos fortes do álbum. A canção é boa, mas a introdução e os versos, que me parecem uma tentativa de fazer um rock com levada mais hip-hop não ficaram legais. Da ponte para o refrão, a canção se recupera e melhora, mas o resultado final acaba mediano. Se eles tivessem ouvido AM do Arctic Monkeys antes, poderiam ter acerto mais na levada inicial.
Já "Pendulum" fica como o ponto mais fraco do disco. A canção experimental bem lenta tem algumas frases de biscoito da sorte na letra, como "easy come, easy go" (Vou falar um pouco mais das letras no final), e acaba fazendo o ouvindo se desligar um pouco do álbum, que vinha bem até ela.
Seguindo com os pontos fortes do disco, vem a oitava música "Swallowed Whole". Mais uma balada rock (mais rock, menos balada), com um riff interessante no começo e que vai crescendo com bastante energia.
"Let the Records Play" é outra canção que poderia ter ficado melhor. É uma faixa mais blues, que em alguns momentos me parece uma jam descompromissada da banda. Pode ser que essa fosse mesmo a intenção deles.
"Sleeping By Myself", lembra bem os trabalhos solos de Eddie Vedder, assim como "Yellow Moon", embora essa última seja composta por Jeff Amment. São boas músicas que reforçam a pegada mais tranquila da fase atual da banda. Deve ser a maturidade, ou crise da meia-idade.
Fechando o disco vem a balada piano-violão introspectiva "Future Days". O ponto forte dessa música é que sem perceber, você vai estar cantarolando ela depois que o disco acabar.
Ao terminar o disco, algumas coisas ficam bem claras; a banda como um todo está em ótima forma, os anos tiraram um pouco da fúria do começo de carreira, principalmente nas letras que agora estão menos autobiográficas e mais reflexivas. Em alguns momentos me incomodou o excesso de clichês nelas, como citei antes.
No geral, o álbum começou muito bem e caiu um pouco da metade para o final. Particularmente, levando em conta as declarações da banda antes do lançamento e os primeiro singles, eu tinha uma expectativa bem alta e que acabou não se realizando. É um disco sólido, que confirma que a banda ainda tem muita lenha para queimar, mas que não chega a figurar entre os melhores da carreira.

sábado, 5 de novembro de 2011

As Fortunate As Me


Esse review começa com uma provocação, chupa 1º dia!
Na sexta-feira, dia 04 de Novembro, o estádio do Morumbi recebeu 68 mil pessoas para assistir ao quarto show do Pearl Jam na capital paulista. Aquele transito básico da sexta-feira para chegar ao estádio, mas felizmente consegui um bom lugar na pista para assistir ao show, que começa com 30 minutos de atraso, pra alívio de quem chegou de última hora.
A luzes se apagam e já começa com 'Go', uma porrada do disco que completa 20 anos junto com a banda, Ten, e que não deixa ninguém parado, seguida por 'Do The Evolution', do 'Vitalogy', para dizer a platéia "estamos aqui com 20 anos de estrada e força total!".
'Severed Hand', do disco Pearl Jam (2006), dá um tempo para a parte do público que não conhece os discos mais recentes respirar, quando a balada-rock 'Hail Hail' (No Code) faz uma homenagem aos apaixonados e me faz já estar apaixonado pelo show na quarta música!
Começa 'Got Some' do mais recente trabalho, 'Backspacer', sem muita repercussão aqui no Brasil e que deixa boa parte da platéia assistindo tranquilamante o show, recuperando o folêgo para a primeira grande comoção no estádio, e o título mais longo da história do Pearl Jam, 'Eldery Woman Behind The Counter In A Small Town', do segundo disco Vs. Aquele momento de celulares e cameras acesas e todo mundo cantando junto, fazendo o coro no final, simplesmente lindo! Vem 'Given To Fly'(Yield, 1998), outro sucesso que emociona a todos! A esse altura o Eddie já havia distribuído vários obrigados e arriscado algumas poucas palavras em português, sempre muito simpático com o público.
Outra canção de Backspacer é apresentada, 'Gonna See My Friend', o que mostra que setlist teve um bom equilíbrio entre músicas mais novas e grandes sucessos da carreira. Quando eles tocam 'Wishlist' (Yield), uma das minhas músicas favoritas do Pearl Jam como contei aqui, o show deles é novamente o melhor e eu não tenho mais palavras para dizer o quanto estou feliz por fazer parte daquilo, enquanto todo mundo faz um coro "ôÔôô" no final da música. 'Among the Waves' (também do Backspacer) e 'Setting Forth', do disco solo do Eddie Vedder 'Into The Wild' são tocadas na seqüência, seguidas por 'Not For You', do disco Vitalogy, e 'Even Flow', sucesso do Ten, que leva todo mundo ao delírio, tamanha a energia e a entrega da banda no palco ao executar esse sucesso de 20 anos. 'Unthought Known' e 'The Fixer', do mais recente disco BackSpacer, são tocadas. E em seguida vem duas músicas do início de carreira para fechar a primeira parte do show, são elas 'Once' e 'Black' com um coro no final  criando um daqueles momentos que deviam durar para sempre.

Vem a pausa para o primeiro bis. A banda já tem o público na mão quando o Eddie volta ao palco agradecendo novamente e toca 'Just Breathe' (Backspacer), que está entre as músicas mais bonitas já compostas por ele.  Quando a música acaba, Vedder conta que a próxima canção o faz  lembrar de São Paulo, por que foi durante a primeira passagem deles por aqui que o guitarrista Mike McCready mostrou a música a ele ainda no quarto do hotel. Eles executam 'Inside Job', canção que fecha o disco Pearl Jam (2006) com um show de iluminação deixando o estádio do Morumbi ainda mais bonito naquela noite. 'State Of Love And Trust', que nunca foi lançada em nenhum disco de estúdio, e o single recém lançado apenas pela internet, Olé, agitam o público para outro ponto alto do show começar, quando eles tocam mais duas canções do Ten fechando o primeiro bis, 'Why Go' e o mega-hit 'Jeremy'!
Em algum momento aqui, Vedder se desculpa pelo seu português, pede permissão para falar inglês, agradece a banda de abertura X, agradece ao público por respeita-los e ouvi-los e conta uma história de quando ele falsificou um ID para ir a um show da Banda X e segurou a cerveja do vocalista durante o show.
Na volta para a parte final eles tocam a balada-cover-fofinha 'Last Kiss' e o clássico 'Better Man' (Vitalogy), com coro da platéia no final, mais um daqueles momentos que ficarão eternizados na memória de quem estave lá.  Também do disco Vitalogy vem o lado-B 'Spin The Black Circle', que nos meus devaneios antes do show  pensei como seria legal se a banda a tocasse, e eles tocaram para minha mais completa felicidade. Na sequência tocam 'Alive', o hino da banda executada religiosamente em todos os shows! Eu já esperava pelo agradecimento final quando o Mike começa um riff marcante de guitarra, o Eddie aparece com dois pandeiros e eu grito a plenos pulmões, The Who!!! e a banda toca o cover de 'Baba O'Riley'. Para fechar, um sucesso que não está em nenhum disco, 'Yellow LedBetter', que o Mike compôs inspirada por "Little Wing'  do Hendrix e é sempre tocada pela banda e adorada pelos fãs!
Eles se despedem, sempre muito carinhosos com o público, verdadeiramente felizes pela apresentação ter sido tão incrível. Sem dúvida uma das melhores da banda em solo tupiniquim e nós vamos embora, torcendo para que eles não demorem mais 6 anos para voltar ao Brasil. E eu estou feliz por ser, como diz o verso de Wishlist, "as fortunate as me".

O setlist completo do show pode ser visto aqui!

sábado, 15 de outubro de 2011

Eric Clapton is God, em São Paulo

 
No feriado de 12 de Outubro, numa noite fria e com a típica garoa paulistana, 45 mil pessoas foram ao estádio do Morumbi assistir ao show do guitarrista Eric Clapton.
Com pontualidade britânica, o show começa uma dedicatória ao piloto brasileiro, Felipe Massa, e com 'Key To The Highway', do álbum 'Riding with the King', parceria de Clapton com outra lenda do blues, BB King, e a platéia já aplaude calorosamente ao primeiro solo de guitarra (os aplausos se repetiram durante vários solos). O blues toma conta do estádio, com destaque para o cover de Muddy Waters, Hoochie Coochie Man, até que tem início o trecho 'acústico' e intimista do show, com Eric sentado num banquinho e demonstrando todo seu talento ao violão, com fortes raizes do blues, começou com Driftin' Blues, tocou o sucesso 'Lay Down Sally' e uma canção de seu disco mais recente, 'When Somebody Thinks You're Wonderful', para ouvir todo o público cantar junto Layla, em versão parecida com a do Unplugged '92.
Retomando a parte elétrica, Clapton tocou 'Badge' dos tempos de The Cream, para depois emendar o hit 'Wonderful Tonight', com direito a celulares acessos pelo estádio. Passado o momento mais romântico do show, o blues voltou com força total com o clássico 'Before you accuse me', e 'Little Queen of Spades', do bluesman e lenda, Robert Jonhson, a maior influência de Clapton, com direito a solos e improvisos longos, demonstrando toda a qualidade não só do guitarrista, mas também da banda de apoio, formada por Chris Stainton e Tim Carmon nos teclados, Willie Weeks no baixo, o baterista Steve Gadd, e Michelle John e Sharon White nos vocais de apoio.
Todo o estádio se levanta quando começa 'Cocaine', fazendo inclusive o pessoal da platéia vip, sentada até então, se aglomerar a frente do palco para ouvir um dos maiores - se não o maior - sucesso da carreira do cantor. Uma breve pausa e ele retorna para executar a última canção do show, Crossroads, encerrando uma bela apresentação apesar da pouca comunicação dele com o público (apenas um ou dois "Thank You"), e do som um pouco baixo, mas que demonstra por que Eric Clapton é um dos maiores guitarristas de todos os tempos.


Eric Clapton - Key To The Highway Live @ São Paulo, 12/10/2011

Eric Clapton - Before You Accuse Me Live @ São Paulo, 12/10/2011